A declaração foi dada por Vittorio
Medioli na CPI que investiga e
fiscaliza os contratos celebrados para a
limpeza da lagoa
A Comissão Parlamentar de Inquérito da
Lagoa da Pampulha teve mais um capítulo na manhã desta
quinta-feira, 23 de fevereiro, na Câmara Municipal de BH. Vitorio
Medioli, prefeito de Betim, foi convidado a debater sobre a
eficiência da limpeza da lagoa quando em 1993 realizou a retirada de
aguapés que tomavam o espelho d’água sem custo para a cidade.
Durante as mais de duas horas de reunião o empresário falou desta
experiência e afirmou que a Lagoa da Pampulha foi um feudo, um
quintal, uma granja da empresa Andrade Gutierrez para fazer crescer
as galinhas dos ovos de ouro.
De acordo com Vittorio Medioli a empresa
deixou um passivo ambiental imenso na Lagoa da Pampulha desde a
década de 70. “Eu acho muito espantoso que a condução da limpeza
da Lagoa da Pampulha tenha passado por vários prefeitos da mesma
forma e nada foi feito. Parece que todo esse tempo foi para
enriquecer alguém ou algum grupo financeiro”.
O prefeito de Betim afirmou ainda que a
Andrade Gutierrez, que é uma das empresas que atuou na “despoluição”
da lagoa, é uma empresa que se envolveu em grandes esquemas de
corrupção por todo Brasil e virou sinônimo de bandalheira. “Grande
parte das obras investigadas apareceram com problemas. Inclusive na
delação premiada da Operação Lava-Jato, seus sócios citaram a
Pampulha como moeda de troca”.
Durante seu depoimento, Vittorio Medioli
relembrou o êxito na retirada dos aguapés da Lagoa da Pampulha.
“Quase ninguém acreditada. Entre os anos de 1992 e 1993 foi a
explosão dos aguapés no espelho d’água e a prefeitura dizia que
não tinha recursos para a fazer a limpeza. Naquela época procurei o
então vice-prefeito Célio de Castro e fiz proposta da retirada dos
aguapés sem custo para o município. O prefeito da época, Patrus
Ananias, cedeu e em três meses a lagoa estava limpa”, afirmou.
Vittorio Medioli relembrou que a limpeza
dos aguapés em 1993 custou R$ 250 mil, muito diferente do contrato
assinado entre a PBH e a Andrade Gutierrez no valor de R$ 8 milhões
na década de 1980. Ele lembrou ainda que foi retirada da Lagoa da
Pampulha uma quantidade equivalente a 25 mil caminhões basculantes
de aguapés. “Daí vem a constatação de que já se passaram 30
anos da limpeza da Pampulha e nada foi feito. Já foram gastos
centenas de milhões de reais em uma lagoa que está sendo maquiada e
o que vemos é uma falta de informação inexplicável”, afirmou.
O empresário deixou um recado para os
gestores da prefeitura de BH. “A meu ver a forma que está sendo
conduzida hoje a limpeza da lagoa é ineficiente e onerosa. O que
deve ser feito é o estudo das origens dos resíduos sólidos,
quantificar o que entra na lagoa e planejar os próximos 20, 30 anos.
Outra sugestão é fazer o rebaixamento da lagoa anualmente nos meses
de agosto e setembro. Esse serviço não é feito desde 2009 e é
muito importante para que ela possa receber as cheias dos córregos
Ressaca e Sarandi”, finalizou Vittorio Medioli.
O vereador Gabriel Azevedo, presidente da
Câmara Municipal de BH, também esteve presente na reunião e
alertou para a coincidência do não rebaixamento da lagoa desde o
ano de 2009. “Foi naquele ano que assumiu o então secretário de
obras e atual secretário de governo, Josué Valadão. Queremos saber
o porquê de a lagoa não ter sido mais rebaixada para remover seu
assoreamento. Há algum esquema ou corrupção que transforma todo
esse lixo em dinheiro?
Relator da CPI da Lagoa da Pampulha, o
vereador Braulio Lara (NOVO) afirma que a participação de Medioli
na comissão parlamentar contribuirá bastante com os trabalhos.
“Tivemos um depoimento bastante rico de informações. As técnicas
usadas ainda em 1993 foram eficazes, mas o que vem sendo feito pelas
empresas contratadas pela prefeitura nestas últimas décadas para
fazer a limpeza da lagoa não vem surtindo efeito. O que está
acontecendo? Como é que se resolve este problema? Ninguém sabe. A
Lagoa da Pampulha é o cartão postal de BH e parece que querem
mantê-la suja, pois quanto mais poluída, mais dinheiro para
despoluir. É isso que estamos investigando e não deixaremos passar
em branco”, afirmou.
Professor Juliano Lopes (AGIR), presidente
da comissão, enfatizou que os atuais contratos deveriam ser
suspensos e uma auditoria deveria ser feita. “É o mínimo que o
nosso prefeito poderia fazer neste momento. O Fuad Noman fará um ano
à frente da prefeitura no próximo mês e poderia dar de presente ao
belo-horizontino este presente”, finalizou.