Quando falamos de
subsídio, a primeira pergunta que deve ser fazer é: quem vai pagar
a conta? Hoje, quem paga pelo transporte é quem usa o transporte.
Empregadores, que pagam a maior parte, autônomos, estudantes e
demais cidadãos. As empresas de ônibus, por meio de licitação, se
habilitaram a adquirir o direito de explorar esse serviço público.
Assim, em 2008, após “vencerem” a licitação, pagaram uma
outorga ao município e começaram a explorar a atividade. Vale
lembrar, que a CPI da BHTrans demostrou diversos indícios de fraude
no processo de licitação o que hoje é objeto inclusive de ação
do Ministério Público para anular os contratos celebrados na época.
Mas se quem paga são
os usuários, por que a Prefeitura se interessa em custear parte
desta receita das empresas de ônibus? A resposta é simples: querem
criar um efeito de redução de preço de passagem, mas que na
verdade apenas está mudando a forma com a qual o cidadão paga a
conta. Porém, o que é mais assustador é que essas tratativas,
feitas às portas fechadas, sem nenhuma transparência, nunca
priorizam o usuário em si. Os ônibus seguem cheios, horários
reduzidos e diversos outros problemas na prestação do serviço. E
então vem a questão: precisamos mesmo de subsídio no transporte
público?
Por outras
experiências observadas em outros locais do mundo, o subsídio é
trabalhado como um mecanismo de ajuste entre receitas e despesas do
sistema de transporte público. Apoiadores dessa proposta defendem
que a disponibilidade do transporte público ao cidadão pagador de
impostos, sendo ou não usado por esse, tem custos e que precisam,
portanto, recair sobre toda a sociedade. Pode fazer sentido e é um
bom debate. Mas como pedir para o cidadão um voto de confiança
nesse “modus operandi” que já há décadas coloca o usuário
mais como refém do que como cliente? Refém da falta de conforto nos
ônibus, na imprevisibilidade dos horários, na não cobertura de
todo o território e principalmente nos altos custos da passagem?
A Prefeitura já
demonstrou seu interesse em subsidiar as empresas de transporte. Fez
isso de forma ilegal, fazendo se passar por um adiantamento de
vale-transporte dos trabalhadores do poder público municipal,
injetando R$ 220 milhões no sistema durante a pandemia e apontado
pelas CPIs da BHTrans e da Covid. Não satisfeita, a Prefeitura
enviou recentemente para a Câmara de Vereadores projeto para
garantir R$ 156 milhões anuais (projeto que foi devolvido por
motivos técnicos, mas que retornará em breve) para as empresas de
ônibus.
O subsídio tem que
ser feito de forma responsável. Para que ele venha a funcionar é
fundamental que o atual contrato de concessão seja encerrado na
forma que está e um novo formato de governança seja estabelecido
para garantir a qualidade de serviço ao cidadão. Separar o sistema
de bilhetagem do sistema de prestação de serviço de transporte
para dar mais transparência ao processo e principalmente, permitir
que o poder público, representando a sociedade, ajuste as políticas
públicas, a fim de estabelecer formas mais inteligentes da
arrecadação das tarifas de transporte. E para dar segurança ao
prestador de serviço de transporte, desvincular seu faturamento da
catraca ou roleta, e passar para um indexador vinculado ao quilômetro
rodado e ao cumprimento dos indicadores de qualidade.
Solução tem!
Podemos ter subsídio sim! Mas o importante é formatar um modelo que
funcione e que os usuários sejam tratados como clientes e que
estejam no centro da discussão. Alguns esquecem, mas quem paga a
conta é o cidadão! E esse merece respeito!
Braulio Lara –
ver.brauliolara@cmbh.mg.gov.br - @brauliolaranovo – (31) 99553-9951