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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Câmara de BH promulga lei que regulamenta internação de dependentes químicos

Belo Horizonte ganha uma nova ferramenta jurídica para lidar com a crise da dependência química. Foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) desta terça-feira, 05 de maio, a Lei 12.003/2026, que dispõe sobre a internação voluntária e involuntária de dependentes químicos na capital mineira. A legislação é fruto do Projeto de Lei nº 174/2025, de autoria do vereador Braulio Lara (NOVO).

Diferente do processo convencional, a lei não contou com a assinatura do prefeito Álvaro Damião. O Executivo perdeu o prazo legal para a sanção ou veto após a aprovação do texto pela Câmara em março. Diante da omissão do prefeito (configurando a sanção tácita), coube ao presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte a responsabilidade de promulgar a nova legislação, garantindo sua entrada em vigor.


Foco na População de Rua e Vulnerabilidade

A nova legislação estabelece diretrizes para que o poder público possa atuar de maneira mais assertiva em casos de vulnerabilidade extrema, com atenção especial às pessoas em situação de rua. O objetivo central é oferecer tratamento médico adequado, acompanhamento psicológico e ações coordenadas para a reinserção social e familiar.

O vereador Braulio Lara, autor da proposta, baseou o texto na necessidade de alinhar a legislação municipal à Lei Nacional de Drogas (Lei Federal 13.840/2019). Durante a tramitação, Lara destacou o cenário de pessoas "definhando nas calçadas" e a angústia de famílias que não conseguiam socorro para parentes em estado severo de vício.

Como funciona a nova lei

A aplicação da Lei 12.003/2026 segue protocolos rigorosos para garantir os direitos individuais e a segurança clínica:

1. Prioridade Ambulatorial: O tratamento deve ser iniciado preferencialmente em regime ambulatorial e nos centros de referência (como os CAPS), sendo a internação considerada o último recurso.

2. Internação Involuntária como Exceção: Ocorre quando há risco comprovado à integridade física do dependente ou de terceiros. Deve ser realizada exclusivamente em unidades de saúde ou hospitais gerais.

3. Laudo Médico Obrigatório: A internação sem o consentimento do paciente só pode ser feita mediante laudo de um médico devidamente registrado, que ateste a necessidade da medida.

4. Solicitantes Autorizados: A intervenção pode ser solicitada por familiares ou responsáveis legais. Na ausência destes, servidores públicos das áreas de saúde, assistência social ou órgãos do Ministério Público podem requisitar a medida.

5. Tempo Limite: A internação involuntária deve ter duração máxima de 90 dias, prazo considerado necessário para a desintoxicação e estabilização do paciente.


Histórico e justificativa

Durante a tramitação da proposta na Câmara, o vereador Braulio Lara defendeu a urgência da pauta, relatando o cenário de pessoas que estão "definhando nas calçadas de Belo Horizonte" por conta do vício em álcool e drogas. Segundo o autor, a lei vem para alinhar o município ao que já é previsto na lei nacional de drogas.

"Nós sabemos que a internação involuntária é uma medida última possível e precisa ser feita com toda responsabilidade médica. Muitas pessoas não conseguem responder por si mesmas e precisam de tratamento para recuperar a saúde e a dignidade", justificou o parlamentar à época da aprovação. Ele também lembrou o desespero de famílias que tentam buscar socorro para parentes e encontravam barreiras na rede de atendimento.

A promulgação pela Câmara Municipal foi vista por entidades e comunidades terapêuticas como um passo decisivo para preencher uma lacuna no serviço público de Belo Horizonte. "Sabemos que a internação involuntária é uma medida extrema e precisa ser feita com total responsabilidade médica. Muitas pessoas perdem a capacidade de responder por si mesmas e precisam desse resgate para recuperar a dignidade", defendeu Braulio Lara.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Qual é o problema mais sério de Belo Horizonte?


Trânsito, moradores de rua, segurança ou infraestrutura? Quais desses temas são os que mais precisam de atenção em BH?

Quando pensamos em melhorias na cidade, sem muito esforço, todos esses temas aparecem.
Afinal, nossa capital tem enfrentado, ao longo de muitos anos, gestões que trouxeram poucas mudanças estruturais e significativas.
Desde os grandes temas, como mobilidade urbana, até aos menores, como limpeza de ruas e calçadas, vemos uma série de reclamações por parte dos cidadãos de BH.
Comente aqui qual desses problemas é o mais urgente, na sua opinião! 👇

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

VIDEO - Especialista apresenta mapeamento e sugere ações para pessoas em situação de rua

Para serem efetivas, políticas para quem está nas ruas precisam dar voz a este segmento da população. Inclusão exige ações coordenadas.

O grande número de homens e mulheres vivendo nas ruas de BH, debaixo de viadutos e marquises, em tendas improvisadas ou ao relento, que aumentou significativamente com os impactos da pandemia, revela uma situação triste e perturbadora para quem transita na cidade. Dando prosseguimento à busca de caminhos para a superação dessa condição, garantindo o acesso a serviços e direitos básicos e a inclusão social e profissional dessas pessoas, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário recebeu, nesta quinta (4/11), o pesquisador e ativista da “linha de frente”, Tiago Azevedo, que apresentou dados colhidos no contato direto com um grande número de indivíduos em situação de rua. O georreferenciamento, a movimentação dessas pessoas no espaço urbano e o mapeamento do perfil considerando as diferentes realidades e demandas vão orientar os próximos passos do Grupo de Trabalho (GT) “BH Sem Morador de Rua”, criado pelo colegiado. Diante da complexidade da questão, o requerente da audiência defendeu a coordenação de ações do poder público, entidades do 3º setor e empresas privadas.
Confira a audiência pública abaixo:

Especialista apresenta mapeamento e sugere ações para pessoas em situação de rua

Para serem efetivas, políticas para quem está nas ruas precisam dar voz a este segmento da população. Inclusão exige ações coordenadas 


O grande número de homens e mulheres vivendo nas ruas de BH, debaixo de viadutos e marquises, em tendas improvisadas ou ao relento, que aumentou significativamente com os impactos da pandemia, revela uma situação triste e perturbadora para quem transita na cidade. Dando prosseguimento à busca de caminhos para a superação dessa condição, garantindo o acesso a serviços e direitos básicos e a inclusão social e profissional dessas pessoas, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário recebeu, nesta quinta (4/11), o pesquisador e ativista da “linha de frente”, Tiago Azevedo, que apresentou dados colhidos no contato direto com um grande número de indivíduos em situação de rua. O georreferenciamento, a movimentação dessas pessoas no espaço urbano e o mapeamento do perfil considerando as diferentes realidades e demandas vão orientar os próximos passos do Grupo de Trabalho (GT)
 “BH Sem Morador de Rua”, criado pelo colegiado. Diante da complexidade da questão, o requerente da audiência defendeu a coordenação de ações do poder público, entidades do 3º setor e empresas privadas.

Antes de passar a palavra ao convidado, Bráulio Lara (Novo), proponente e relator do GT, lamentou a ausência da secretária municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, Maíra Colares, que não compareceu e não enviou representante à audiência. O vereador reafirmou que a complexidade da questão exige o envolvimento e cooperação de outros setores além da assistência social, como saúde, qualificação profissional, geração de emprego e renda e programas habitacionais; além da superação da situação de rua, o objetivo central do Grupo é oferecer uma “porta de saída” efetiva que permita a essas pessoas resgatar a dignidade e encontrar um caminho, evitando que retornem para as ruas. A “longa jornada” a ser percorrida no tratamento de todos os aspectos da questão, segundo ele, exige a criação de uma verdadeira força-tarefa. Lara celebrou o avanço e o reconhecimento da cidade ao trabalho do GT, que vem atraindo o interesse de pessoas que querem acompanhar, agregar e trazer ideias e sugestões.

Uma das pessoas que procurou o Grupo e ofereceu-se para contribuir, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Tiago Azevedo, integrante da regional mineira da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA-Brasil), foi convidado pela comissão para apresentar os dados obtidos durante sua atuação, entre 2016 e 2019, no Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) da rede de Assistência Social da Prefeitura de BH, conveniada com a entidade. Segundo ele, a coleta direta de informações no contato direto com as pessoas que estão na rua por diversas razões supera a metodologia adotada em estudos da área, que identificam elementos comuns que embasam teorias, mas não refletem as diferentes realidades e demandas; o cruzamento e tratamento desses dados, nunca antes obtidos em Belo Horizonte, possibilitam a criação de políticas públicas mais efetivas.

Perfis, necessidades e deficiências

Especializado em gestão e monitoramento de dados, Tiago participou da reestruturação e aperfeiçoamento do Sistema de Informação e Gestão de Políticas Sociais (SigPS) da PBH, que passou a fazer o planilhamento dos dados. As conversas diretas com pessoas em situação de rua com diferentes histórias, realidades e necessidades - “cada indivíduo um universo” - resultam em dados mais precisos; porém, o padrão e os critérios estabelecidos e “engessados” do Sistema burocratizam o processo, dificultando o atendimento de demandas específicas que “não estão escritas em nenhum manual”. Em relação ao quantitativo estimado em 9 mil pessoas, ele ponderou que esse número é baseado no CadÚnico, formado por pessoas que se autodeclaram em situação de rua para ter acesso a políticas públicas e pode não refletir a realidade. O convidado apresentou mapas que ilustram o deslocamento de sem-teto e áreas com maior concentração desse grupo. Segundo o pesquisador, tais áreas são as mais populosas, próximas a comércios e grandes avenidas. Além disso, ele apontou a localização de equipamentos públicos da Prefeitura - abrigos, albergues e casas de acolhimento - e explicou que, além do número insuficiente de vagas, o acesso é dificultado por distância e limitações de horário.

A apuração das diferentes demandas para um encaminhamento mais adequado e definição do melhor caminho a ser traçado deve, de acordo com Tiago Azevedo, ser obtida através da busca ativa, acompanhamento sistemático, escuta qualificada e identifição dos diferentes perfis - faixa etária, sexo, gênero, orientação sexual - também constantes no estudo apresentado. Outro aperfeiçoamento citado pelo pesquisador foi a descentralização das equipes de abordagem, serviços e atendimentos, coordenados e prestados pelo Centro de Referência em Assistência Social (CREA) de cada regional.

Envolvimento da sociedade

A descontinuidade das ações do poder público em razão da burocracia e lentidão do sistema, que não oferece a porta de saída definitiva por meio de políticas de moradia e inserção profissional, leva muitos atendidos a desistir e voltar à situação anterior, amparando-se muitas vezes no álcool e nas drogas para amenizar a dor, a fome e o frio. Segundo o pesquisador, a rede assistencial formada por órgãos públicos, entidades e a própria comunidade, que oferece agasalho e alimento, pode e deve ser fortalecida através da conscientização da sociedade sobre a importância desse trabalho e da contribuição de cada um para assistir, encaminhar e incluir essas pessoas em vez de chamar as autoridades para removê-las das praças e calçadas. Para reforçar a proteção e atendimento dos necessitados, especialmente os recém-chegados às ruas, que não estão familiarizados com o ambiente hostil e não conhecem as opções de abrigamento e assistência, pode-se cruzar os dados de georreferenciamento com a localização de igrejas, entidades filantrópicas e comunidades terapêuticas, por exemplo, ampliando e facilitando o acesso a serviços.

Em relação à observação do vereador Gilson Guimarães (Rede) sobre pessoas que não querem deixar as ruas, Tiago assegurou que realmente existem, mas que a sensação de liberdade alegada por elas é aparente e falsa, pois a vida nas ruas é marcada pela falta de dignidade, privacidade e segurança. Para garantir o direito de todos à cidade, é preciso marcar a diferença entre ocupar e residir, encorajando o uso cultural e de lazer dos espaços públicos sem prejudicar o direito de usufruto do restante da população. Sobre a facilitação do retorno à cidade de origem, ele informou que existe o Plantão do Migrante na Rodoviária, que concede passagens gratuitas até 30 dias a partir da chegada. A passagem também pode ser oferecida na rede de assistência se for o desejo da pessoa, avaliando-se antes se a pessoa possui família para acolher ou vínculos sociais no local de destino.

Respondendo pergunta de Wesley (Pros), presidente da comissão, sobre o atendimento a dependentes químicos nos serviços de saúde mental (Cersams) da Prefeitura, alvo de críticas da Associação Mineira de Psiquiatria, o convidado declarou-se inapto para avaliá-lo por ter pouco conhecimento dos trabalhos e dos serviços prestados nesses equipamentos. Comentando a ausência da Prefeitura, mais uma vez, numa audiência da Casa, o presidente lamentou ter que adotar esta posição mas afirmou aos colegas a disposição de utilizar o instrumento da convocação na próxima ocasião.

Integração e coordenação de ações

Além do eixo “atendimento e encaminhamento social”, os trabalhos do GT incluem “revitalização de centralidades e bairros degradados”, “fomento do turismo em regiões específicas” e reinserção no mercado de trabalho”, demandando o envolvimento de diversos órgãos e setores para a abordagem ampla e integral do problema e busca de soluções efetivas e definitivas. Nessa perspectiva, o relator questionou se existe integração entre os atores envolvidos com os diferentes aspectos, como a Guarda Municipal, Polícia Militar, Ministério Público, serviços de assistência social, saúde mental, limpeza urbana. Tiago informou que o diálogo não é recorrente, ocorrendo apenas quando são realizados GTs ou ações específicas em que um órgão é acionado para dar suporte ao outro. Ele ressaltou, porém, que qualquer diálogo e decisão referente ao tema deve incluir obrigatoriamente a escuta e a participação dos interessados: “Não falem de mim e por mim sem mim”, é o lema da categoria.

Bráulio salientou que o GT não é de cunho higienista, como muitos chegaram a pensar, e criticou a atitude da Prefeitura ao não apresentar dados, ações e resultados sobre a questão, passando a percepção de que nada está sendo feito. Os relatórios disponibilizados nas fontes oficiais, segundo ele, são incompletos e não são gerenciais, pois a falta de cruzamento e tratamento dos dados não permite enxergar o mapa amplo e detalhado dessa população, prejudicando o avanço no tratamento da questão. Para exemplificar, ele citou a falta de interação da Prefeitura com os dados obtidos no Projeto Canto da Rua, que atendeu mais de 8.000 pessoas durante a pandemia e foi desativado neste semestre. Segundo o parlamentar, é necessário que o Município dialogue com os envolvidos, mas que oriente e coordene as ações, em vez de “deixar soltas” as diferentes ideias e iniciativas.

Fonte: Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Comerciantes cobram ações da PBH diante de problema complexo


A percepção do aumento do número de pessoas em situação de rua tem sido comum em Belo Horizonte. O
 Grupo de Trabalho (GT) BH sem Morador de Rua, criado no âmbito da Comissão de Desenvolvimento Econômico Transporte e Sistema Viário, vem discutindo o tema com vários atores (órgãos municipais, entidades comerciais, jurídicas, sociais e comunitárias) para formulação de políticas e ações articuladas de inclusão econômica e acesso a direitos básicos que possibilitem a reconstrução de uma vida digna, autônoma e a superação da situação de rua. Nesta quinta-feira (23/9), o debate prosseguiu em mais uma audiência pública, desta vez com foco na complexa relação entre comércio, consumidores e pessoas em trajetória de rua. A necessidade de falar sobre o problema e a dificuldade de encontrar soluções foram reconhecidas pelos participantes. Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e empresários do Barro Preto cobraram da Prefeitura ações em apoio a essa população. Convidada para a reunião, a PBH não mandou representante. 

Solicitada pelo requerente e relator do GT BH sem Morador de Rua, Braulio Lara (Novo), a audiência teve como propósito analisar a fundo e debater os diferentes aspectos desse fenômeno complexo que afeta BH e outras cidades grandes e médias, decorrente das dificuldades de acesso à moradia, educação e oportunidades de trabalho, agravadas pela pandemia e pela afluência de pessoas de outros municípios. O encontro desta quinta, segundo ele, visa dar continuidade à série de visitas técnicas e audiências previstas na metodologia dos trabalhos.

Um dos convidados para audiência foi Wilson Campos, presidente da Comissão de Defesa, Cidadania e Interesses Coletivos ao Cidadão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para ele, o tema é um dos mais relevantes a serem tratados no momento: “Este é um assunto que tem que ser debatido pela sociedade, por todas as pessoas que tenham humanidade e gostem da cidade. A interação é o caminho para resolver. As pessoas (moradores em situação de rua) são pessoas com personalidades e aspirações distintas, diferenciadas e precisam de ajuda. A população é solidária, mas a sociedade não quer estas pessoas na porta das lojas e residências”, explicou Wilson, exaltando exemplo da Finlândia, que conseguiu reduzir quase a zero o número de pessoas morando nas ruas. Segundo ele, que teve a informação reafirmada por outros participantes da audiência, a Finlândia adotou o que chamam de política de “habitação em primeiro lugar” e, segundo matérias divulgadas na imprensa, é o único país da Europa onde o número de pessoas em situação de rua está diminuindo. “É difícil, mas não é impossível. A boa vontade tem que ser a política”, disse Wilson Campos.

Para Maria Angélica Biondi, presidente do Instituto de Apoio e Orientação a Pessoas em Situação de Rua (Inaper), a complexidade do problema é um dos entraves para o encontro de soluções. “Entre os moradores em situação de rua há pessoas analfabetas e pós-graduadas. Há pessoas com 50 anos de rua. É uma situação antiga que existe em quase todos os países e precisamos pensar em soluções complexas. É um público com pessoas com a saúde integral comprometida. Pensar em solução é pensar também em saúde emocional”, destacou Angélica. O Inaper surgiu em 2016 e tem foco no resgate, na dignidade e na autonomia dessas pessoas. No instituto são oferecidos café da manhã, banho, barbearia, atendimento social e psicológico, oficinas pedagógicas, preparo para o mercado de trabalho. O projeto Casa Lar, mantido pela instituição, oferece moradia em caráter definitivo para oito pessoas em trajetória de rua.

Relação com comerciantes e consumidores é problema a ser resolvido

Um dos temas centrais é a relação entre os moradores em situação de rua, comerciantes e consumidores. “Esse é um assunto complexo. Um tema que incomoda há muito tempo e entendemos que deva ser feito um projeto mais resoluto. Entendemos que somos todos responsáveis, mas que a Prefeitura tem que ser protagonista e ter vontade política. Precisamos mudar o modelo e ter uma atuação mais firme”, afirmou Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Marcelo, que foi secretário da Regional Centro-sul na gestão do ex-prefeito Marcio Lacerda, disse ainda que 72% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital vem dos setores de comércio e serviços. “A cidade tem que estar bem cuidada e isso (o aumento do número de moradores em situação de rua) está criando problema grande”, disse. Perguntado por Braulio Lara sobre se há diferença entre as gestões do ex-prefeito e do atual prefeito Alexandre Kalil (PSD) em relação ao tema tratado, o presidente da CDL foi enfático. “A gente tinha cuidado com esse assunto. Atuava com as áreas de saúde e assistência social, parceria com institutos e com pessoas. O diálogo era mais intenso. A palavra (que deve guiar as ações) é cuidado com diálogo. Nosso prefeito é uma pessoa de difícil diálogo”, finalizou Marcelo.

Rebeca Pontello Pertence, Diretora de Qualificação e Intermédio de Mão de Obra da Prefeitura de Belo Horizonte, foi convidada para o debate, mas não compareceu à audiência. “A gente sente muito a falta de efetividade da PBH em enviar representantes para as audiências que estamos fazendo”, destacou o vereador Braulio.

Além do presidente da CDL, a audiência contou com dois representantes de comerciantes da região do Barro Preto. Eugênio da Fonseca é integrante da Associação Comercial do Barro Preto (Ascobap). Segundo ele, é importante cobrar uma solução do poder público. “Acho muito importante essa união para cobrar da Prefeitura que faça algo. Ninguém vai na minha porta perguntar o que fazer. O morador de rua precisa de apoio, mas nós (comerciantes) precisamos de um direcionamento”, afirmou Eugênio, informando que o comércio da região sofre e não há sinalização de investimentos na cidade por parte dos comerciantes do Barro Preto.

Para Maurício Moreira Junqueira, presidente da Associação dos Empresários do Barro Preto (Assempre), há muita demagogia ao tratar da questão. “A situação (aumento do número de moradores em situação de rua) vem crescendo desde a saída do Marcio Lacerda e a entrada do Kalil. Essas pessoas, na maioria das vezes, não querem sair das ruas. São raríssimos os casos. O comerciante se sente indefeso. Ouvimos as mesmas narrativas. A gente até vê que várias associações nem participam mais (de debates e audiências). A comida dada é remorso humano, pois não vai resolver e o comerciante fica vulnerável”, salientou Maurício, questionando também determinação do Ministério Público que proíbe que sejam recolhidos os pertences dos moradores em situação de rua. “Já pedimos ao MP que revogue lei específica. Deixo aqui meu desagravo”, afirmou, sugerindo que a principal ação a ser tomada é a revogação do que ele chamou de “lei dos carrinhos”.

Grupo de trabalho já marcou nova audiência

Focando nos eixos de atendimento e encaminhamento social, revitalização de centralidades e bairros degradados, fomento do turismo em regiões específicas e reinserção no mercado de trabalho, o Grupo de Trabalho busca o diálogo e a articulação com todos os agentes e entidades para encontrar soluções e encaminhamentos possíveis para a recuperação da autonomia e da dignidade dessas pessoas. Braulio Lara salientou que, embora a iniciativa de implementação de políticas municipais e medidas administrativas seja de competência exclusiva da Prefeitura, trazer os temas à pauta do Legislativo atende suas prerrogativas de intermediar demandas, propor soluções e fiscalizar as ações do Executivo.

“Estamos aqui para trazer para a Câmara essa perspectiva de diálogo. Esse projeto abrange várias áreas para o debate. Entre elas, igrejas, Ministério Público, Defensoria Pública, a administração da rodoviária e segurança pública, que será objeto de nossa próxima audiência”, afirmou Braulio. Criado no fim de julho na Comissão de Desenvolvimento Econômico Transporte e Sistema Viário, o GT realizou a primeira audiência no dia 26 de agosto e debateu temas como saúde, dignidade, trabalho e principalmente a moradia. A próxima audiência está marcada para o dia 21 de outubro, às 13h30, no Plenário Camil Caram. Foram convidados representantes da Guarda Municipal de BH, Polícia Militar de Minas Gerais, Polícia Civil e Ministério Público.

Também participaram da audiência os vereadores Henrique Braga (PSDB), Rogério Alkmin (PMN)  e Gilson Guimarães (Rede).

Confira aqui a íntegra da audiência.

Fonte: Superintendência de Comunicação Institucional CMBH